Uma breve história das galinhas

Além dos ovos e da graça peculiar que elas têm, as galinhas podem nos dar uma aula de História. Isso porque elas acompanham a humanidade há pelo menos 8.000 anos. Viram a ascensão e queda de grandes impérios, foram fundamentais na construção da muralha da China e tiveram – e têm – um papel fundamental na alimentação humana.

 Veja alguns capítulos dessa História (e também da pré-história)!

 Descendência do T-Rex

O que eles têm em comum? Está aí um fato curioso sobre as galinhas! Você sabia que elas são as parentes vivas mais próximas do Tiranossauro Rex? Um estudo publicado na renomada revista Science comparou moléculas de um fóssil de dinossauro de 68 milhões de anos com células de várias espécies vivas. A conclusão é que as galinhas, quem diria, estão no mesmo tronco evolutivo do T-Rex e são as aves que apresentam maior semelhança com essa temível criatura pré-histórica.

A galinhas selvagens

Sistema Agroflorestal com foco em citricultura na Fazenda da Toca

Se o T-Rex é o parente mais distante das galinhas, as aves modernas que vemos hoje descendem dessa espécie da ilustração acima. Chamada Red Jungle Fowl (ave vermelha da selva, na tradução livre), ou Gallus Gallus (no nome científico), é originária do sudeste asiático, de ambientes de selva. Esse é um traço importante: por serem nativas desse habitat, as galinhas gostam de áreas sombreadas e de empoleirar em árvores. Esse é uma característica ancestral e fundamental para entendermos porque persiste até os dias de hoje. Por isso que na Fazenda da Toca temos para elas áreas arborizadas, com muita sombra para que se sintam o mais próximo possível de seu habitat natural. Mas há diferenças notáveis de comportamento. Por ser presa fácil, o Red Jungle Fowl é um dos animais mais ariscos da natureza, ao contrário de aves modernas (na Toca, por exemplo, elas são bem mansas e gostam de chegar perto da gente).

 A domesticação das aves

Sistema Agroflorestal com foco em citricultura na Fazenda da Toca

Briga de galo, um dos fatores de difusão das galinhas pelo mundo

De acordo com estudos arqueológicos, a domesticação das galinhas começou há cerca de 8.000 anos. Elas fizeram parte da formação de grandes impérios da Antiguidade, como a Suméria e o Egito. Um fato curioso é que um dos vetores de difusão das aves pelo mundo eram as famosas brigas de galo (hoje felizmente proibidas), que despertavam grande interesse de povos antigos, especialmente da China e Índia, e são conhecidas como o mais antigo esporte da humanidade.

Já as suas fêmeas sempre foram consideradas uma boa fonte de carne e ovos. E a descoberta de que a remoção dos ovos dos ninhos levava as aves a botarem mais aumentou a produtividade na criação de poedeiras.

A primeira experiência de incubação em larga escala foi feita no Egito Antigo, entre os séculos XIV a.C. e IV a.C, com chocadeiras construídas de tijolo de barro e aquecidas pelo fogo com capacidade para chocar até 15 mil ovos de uma só vez. Na China, os ovos foram fundamentais na alimentação dos trabalhadores que atuaram na construção da Grande Muralha e eram tão importantes como alimento que as galinhas só eram abatidas para consumo quando encerravam seu ciclo de postura. 

Os contatos comerciais e militares também propagaram a espécie, que se espalhou pela Ásia e Europa. Na Roma Antiga, as galinhas foram domesticadas e multiplicadas em maior escala que em qualquer outro lugar e lá se começou um manejo que, de uma certa forma, antecipa o processo industrial. Ali já havia a diferenciação de linhagens para corte e postura e também se começou a criação de galos capões em regime de gaiola para estimular a engorda.

As galinhas e o Novo Mundo

Sistema Agroflorestal com foco em citricultura na Fazenda da Toca

No Novo Mundo, há uma tese difundida sobre a existência de galinhas nativas da América do Sul, manejadas pelos índios. São da espécie Gallina Mapuche, encontrada no Chile e conhecida pelos ovos azuis. Mas, claramente, os viajantes portugueses e espanhóis trouxeram para as Américas muitas galinhas em seus barcos para subsistência durante a viagem e elas também colonizaram o Novo Mundo.

“No Brasil, as galinhas chegaram nas primeiras décadas do século XVI. Acredita-se que as primeiras tenham vindo com Gonçalo Coelho, em sua expedição exploradora em 1503, originárias provavelmente da galinha comum europeia. Esses espécimes eram de origem mediterrânea, como as galinhas ibéricas, italianas e norte africanas. A adaptação ao ambiente tropical gerou tipos hoje denominados caipiras, que não guardam mais semelhanças com as aves originais introduzidas, normalmente pesadas e de corpo avantajado. A presença mais marcante é dos tipos longilíneos, com pernas longas, corpo pequeno, geralmente com cristas e barbelas grandes e com o pescoço pelado, os quais constituem mecanismos de dissipação do calor. Essa galinha ainda prevalece na maioria das unidades familiares em todas as regiões do Brasil, tendo em vista sua grande adaptação ao novo ambiente (KHATOUNIAN, 2001).”

Galo e galinha: um casal modelo nos tempos vitorianos

Sistema Agroflorestal com foco em citricultura na Fazenda da Toca

Felizmente esse modelo já está ultrapassado, mas na ética protestante do século XIX, o galo e a galinha eram considerados um “casal perfeito”, como escreve Marcia Neves Guelber Sales em seu livro Criação de Galinhas em Sistemas Agroecológicos, uma leitura imprescindível para quem gosta do tema.

Segue abaixo o excerto dessa citação:

“O galo e a galinha eram dotados de todas as virtudes e os atributos desejáveis nos maridos e nas esposas da Era Vitoriana. O galo, o árbitro do terreiro, mantenedor da ordem, defensor das fêmeas. A galinha, cumpridora dos seus deveres de esposa e de mãe, atenta aos filhos. Ambos constituíam símbolos da felicidade doméstica na sociedade humana. Ele simbolizava a coragem masculina e suas façanhas sexuais. Ele lutava até a morte, ainda que cegado ou gravemente ferido; era louvado por sua ‘coragem invencível’ e sua ‘resolução’”

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