Curso de fruticultura para jovens agricultores – Parceria COOPFAM com o IFSULDEMINAS.

Imagina como era a visão de um jovem sobre a vida no campo alguns anos atrás. Internet ruim ou inexistente, dificuldade de acesso a informações e conhecimento, além de uma ideia deturpada e preconceituosa sobre o agricultor, retratado como uma pessoa simplória e ingênua em diversos programas de TV.

Muitos não viam perspectiva ali, a não ser da lida pesada com a enxada e do trabalho pouco valorizado.

Enfim, nada muito atraente, né?

“Todo mundo estava indo embora. Os filhos dos agricultores viam como era duro o trabalho na roça e não queriam aquilo para eles. Os próprios pais diziam: ‘não quero que você sofra como nós aqui’. E aí mandavam os filhos estudarem na cidade. Porque a roça era como se fosse a pior vida do mundo.”

Esse é um testemunho de Lia Goes, 47, da Cooperapas, uma cooperativa de agricultura orgânica em Parelheiros, um dos últimos redutos rurais da capital paulista, ao retratar a falta de perspectiva na zona rural há alguns anos.

Os irmãos de Lia fizeram as malas e foram para a cidade no começo dos anos 90. Uma virou cabelereira, outra, advogada, um se tornou funcionário público e outro foi ser mecânico. Ela perseverou no campo apesar de todas as adversidades porque houve um pedido de seus pais para ficar lá e não abandonar a terra da família.

Mas isso era antes.

Agora a história é completamente outra. Uma verdadeira quebra de paradigma sobre a vida no campo tem levado cada vez mais jovens a optarem por permanecer ou voltar para os bairros de terra batida, ar puro e noites estreladas.

Esse é um movimento reverso ao do chamado êxodo rural, que marcou o século XX e levou mais de 85% da população brasileira a se assentar nas zonas urbanas.

Se os contemporâneos de Lia viam aquele cenário desolador, a geração, seguinte, de seus filhos, nutre uma relação apaixonada e otimista com o meio rural.

A agricultura orgânica e regenerativa é um dos ingredientes que aproximam e renovam a paixão dos jovens pelo campo. A conexão com a natureza e o cuidado com a terra são sem dúvida muito diferentes nesse modelo agrícola que vem conquistando cada vez mais consumidores e agricultores em todo o mundo.

“Tenho muito orgulho de ser agricultor. Hoje, trabalhar na agricultura não é como antes, que o pessoal ficava isolada, ou que você tinha que se matar na roça e se expor a agrotóxico. Hoje tem mais tecnologia e a gente tem muita união. É uma vida muito saudável”, diz seu filho, Alexandre de Moura Feriance (20).

Mãe e filho participaram do evento Fru.to – Diálogos do Alimento, apoiado pela Fazenda da Toca, onde fizeram uma fala intitulada ‘Millenials da Terra’ para apresentar essa nova cara do campo. Foi dessa palestra tão inspiradora que surgiu a ideia para esse texto. E aí, tivemos o prazer de fazer uma entrevista com esses dois agricultores que tanto admiramos.

Além de Alexandre, Lia é mãe de Danilo (16) e Julia (10). “Os três amam a roça!”

Novos tempos no meio rural

Sistema Agroflorestal com foco em citricultura na Fazenda da Toca

Otávio Tavares Penha, 22 anos, da Coopfam

O mundo está em constante e rápida transformação. E assim também é na zona rural. Aquela velha noção de que o campo era um lugar atrasado, muito conservador e parado no tempo já está mais que ultrapassada.

Os ventos da mudança arejaram o meio rural e permitem agora uma identificação maior desses jovens que, assim como aqueles que se criaram no ambiente urbano, estão conectados nas redes sociais, têm acesso à tecnologia e estão antenados e engajados com temas da atualidade, como empoderamento feminino, igualdade de gênero, sustentabilidade e diversidade.

Recebemos na Fazenda um grupo da Coopfam (Cooperativa dos Agricultores Familiares de Poço Fundo e Região), que abarca 13 municípios do sul de Minas e é hoje uma das maiores e mais importantes do país. Mariana Martins, responsável pelo Departamento de Mulheres, Jovens e Idosos, nos concedeu uma ótima entrevista que ajuda a entender o espírito dessa nova juventude rural.

“Eles têm uma visão mais sustentável da produção, muito respeito pela natureza e um engajamento mais forte. São questionadores e têm muita pressa em fazer as coisas”, diz ela, ao descrever o perfil típico dos novos rurais.

O avanço das tecnologias de informação também favorece muito nesse povoamento dos jovens. Antes, como ressalta Mariana, aqueles que queriam fazer uma universidade, tinham que ir para a cidade. Agora, por exemplo, com as opções de EAD (Ensino à Distância), os jovens conseguem cursar uma graduação e permanecer no campo.

“O nível de educação dos jovens no campo está aumentando”, diz ela.

Além da educação formal, há uma série de iniciativas em formação e capacitação. A própria Coopfam oferece a seus associados processos formativos em gestão e cultivo de culturas específicas.

Transformação Geracional

De fato, o retorno às origens e as transformações no campo, que agora parece ser um lugar muito mais instigante, são tendências incontestes dessas primeiras décadas do século XXI.

Esse fenômeno que estamos vendo no Brasil também se observa em outras partes do mundo.

Nos Estados Unidos, a National Young Farmers Coalition  (Coalizão Nacional de Jovens Produtores Rurais) traz uma interessante análise sobre esse sangue novo no campo:

“No agro, a transformação geracional toma forma à medida que mais e mais Millenials (um recorte da juventude nascida entre a década de 80 e meados dos anos 2000) assumem a gestão dos sítios e fazendas dos pais. Eles irão impactar fortemente o modelo de produção de alimentos.

Carga horária flexível, independência e controle do tempo são muito atrativos aos Millenials.

Ao mesmo tempo em que honram as tradições familiares, eles são motivados a encontrar formas de tornar a agricultura mais eficiente e rentável ao incorporar novas tecnologias e visão empreendedora. Equipamentos automatizados, tratores, drones e robótica tornam o trabalho menos pesado.

Com mais educação e consciência social, os jovens trazem otimismo no campo combinando tradições familiares e novas tecnologias para alimentar o mundo com uma cadeia de produção sustentável e segura”

Essa quebra de paradigma certamente abre um horizonte para uma nova era de regeneração do planeta que ganha força com uma nova mentalidade e nos enche de esperança em viver em um planeta mais saudável.

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